Quando a gente fala em notebook, parece óbvio pensar em mobilidade: trabalhar de qualquer lugar, abrir a tampa e pronto. Mas isso nem sempre existiu assim. No começo dos anos 1990, notebook ainda era quase um luxo difícil: pesado, caro, com tela limitada, pouca bateria e sem um padrão claro do que deveria ser um computador portátil de verdade.
É nesse cenário que nasce o ThinkPad, em 1992. Ele vira um ponto de virada não só para a IBM, mas para a própria ideia de computação móvel.
O ThinkPad não ficou famoso por ser só mais um laptop. Ele virou referência porque juntou três coisas que raramente andavam juntas naquela época: design marcante, engenharia prática e experiência de uso pensada para produtividade. O visual preto, inspirado na ideia de uma caixa discreta que surpreende quando abre, quebrou o padrão bege dos computadores da época e criou uma identidade instantânea. E no centro do teclado apareceu um detalhe que virou símbolo: o TrackPoint, aquele pequeno apontador que permite controlar o cursor sem tirar as mãos da digitação, pensado para tornar a navegação mais eficiente em qualquer lugar.
A história do ThinkPad também é uma história de estratégia e timing. A IBM já tentava criar portáteis desde os anos 1970, mas demorou para transformar isso em sucesso de mercado. Na segunda metade dos anos 1980, projeções internas já indicavam que laptops poderiam crescer muito. No início dos anos 1990, a IBM decide acelerar: cria uma unidade dedicada ao negócio de PCs, com times próprios de desenvolvimento, fabricação e marketing para competir com mais agilidade.
E tem um componente decisivo aqui: engenharia global e influência japonesa. Um dos grandes nomes ligados à virada da IBM em mobilidade é o engenheiro Arimasa Naitoh, que liderou esforços que provaram que dava, sim, para reduzir tamanho e peso sem cair na categoria dos luggables (aqueles portáteis enormes que pareciam mala). A partir desse avanço, nasce a ambição: fazer um notebook menor, mais inteligente, mais usável, um produto que coubesse na vida real de quem vivia em trânsito.
O ThinkPad estreia publicamente em uma das maiores vitrines de tecnologia da época, a Comdex, em novembro de 1992, e rapidamente vira desejo no mundo corporativo. Não só porque era bonito, mas porque entregava algo raro: a sensação de que o notebook finalmente tinha virado uma ferramenta séria de trabalho, confiável, eficiente e pronta para o cotidiano.
Com o tempo, a linha evoluiu com novas tecnologias (conectividade, proteção, durabilidade, recursos de mobilidade) e o ThinkPad virou quase um padrão de referência do que um notebook profissional deveria ser. Mesmo quando a IBM muda o rumo estratégico e vende sua divisão de PCs para a Lenovo em 2005, o ThinkPad continua vivo, mantendo a ideia central que o tornou icônico: utilidade, identidade e confiabilidade.
No fim, o ThinkPad é mais do que um produto: é um exemplo de como design e engenharia podem transformar um objeto comum em símbolo, e como decisões feitas no passado ajudaram a construir o jeito como a gente trabalha, cria e se conecta hoje.
0 Comentários